segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Fotografia - Uma Noite Qualquer

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A fumaça esvoaçava por todo o ambiente, parecíamos enclausurados por aquele véu cinzento que pairava em todo canto e que respirávamos sem remorsos... Jazia no balcão de madeira escura o conhaque barato, copo de Uísque, dois cubos de gelo mergulhados no líquido dourado que reluzia o amarelo das lâmpadas que ainda funcionavam. O relógio-mal-dependurado na parede desbotada ao fundo indicava que o local já passava da hora de fechar, mas não havia ímpeto algum em partir... Nem da minha parte, nem da de ninguém. O olhar do barman era vidrado, seu rosto marcado pela rotina desgastante de noites que se recusam a terminar - sombras sob os olhos, linhas de expressão tão profundas e destacadas que mais pareciam fendas, feridas abertas e escurecidas - uma camisa rota e o zumbido nos ouvidos... Estava sentado num banco sem encosto, curvado e compenetrado na luminosidade de um televisor velho de quinze polegadas. A noite consumia cada um a seu próprio modo. Levo o copo até a boca, depois o cigarro, levo os olhos até a porta de saída, levo o pensamento até a vida que eu não mais possuo, bato o copo, apago o cigarro, jogo o dinheiro no balcão... E fujo.

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Um comentário:

  1. Sempre se expressando de forma tao inteligente! Me identifiquei mto. Parabens! :)

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